
As manifestações orais do tratamento do câncer se instalam sucessivamente em cadeia, uma em consequência e agravamento da outra. A baixa imunidade favorece o crescimento bacteriano, viral e fúngico, promove a quebra do equilíbrio bucal, ocasionado ainda pela diminuição de fluxo salivar.
A saliva fica alterada não só em quantidade, mas também em qualidade, e perde sua capacidade de defesa contra cárie e infecções locais. Assim, a alteração da saliva leva a um alto índice de cárie e torna o meio propenso a infecções.
Como o paciente oncológico passa por períodos de imunossupressão durante o tratamento, cada vez que o organismo estiver com a defesa diminuída há uma grande chance de infecção oral por fungos, vírus e bactérias, que não serão adequadamente controlados nem pela defesa local (já que a saliva está alterada) nem pela sistêmica. Deve-se evitar a infecção oral porque sempre há o risco de se tornar uma sepse.
O agravo inflamatório bucal é conhecido como mucosite oral nos seus diversos graus, sendo que na fase aguda é extremamente dolorosa, impede a fala, a deglutição e a alimentação com dieta sólida ou líquida.
A mucosite oral é um estado inflamatório multifatorial que se instala sete a dez dias após a infusão da droga, e está diretamente ligada à condição de agressividade do regime quimioterápico. É a principal e mais conhecida manifestação oral da terapêutica oncológica. É tida como dose limitante e responsável pela morbidade que acompanha o tratamento do câncer.
A quimiomucosite é a manifestação oral mais incidente no tratamento do câncer. Na terapia de tumores sólidos ocorre em até 40% dos casos. É causa de internação hospitalar, aumento do custo do tratamento, e pode levar o individuo ao óbito.
Pacientes com mucosite têm cinco vezes mais chance de óbito por sepse durante a quimio e radioterapia. Infelizmente ainda vemos, nos dias de hoje, pacientes indo a óbito por desnutrição, desidratação, sepse e choque metabólico decorrentes de mucosites severas que não foram adequadamente prevenidas ou tratadas.
Os tumores de boca quando tratados por radiações ionizantes e quimioterapia concomitante provocam mucosite oral em 100% dos casos. O câncer de mama, por sua vez, pode promover lesões osteolíticas, mais na mandíbula que na maxila, com captação de contraste radioativo, necessitando um esclarecimento clínico para diagnóstico diferencial de metástase óssea, cistos, processos inflamatórios, granuloma etc.
Outra complicação também muito séria são as osteonecroses, que podem ser provocadas por radioterapia e por medicamentos utilizados no tratamento do câncer. No caso da radioterapia na região de cabeça e pescoço, o paciente não pode sofrer tratamento odontológico invasivo com manipulação óssea, como por exemplo, exodontias e implantes, pois pode haver necrose óssea local, dependendo da dose e campo de radiação.
**** LEMBRANDO QUE NÃO É SÓ A MULHER QUE TEM CÂNCER DE MAMA; OS HOMENS TAMBÉM PODEM TER , O AUTOEXAME É PARA TODOS

