
A sífilis é uma doença que se caracteriza pelo aparecimento de feridas que não sangram e não doem em diversas regiões do corpo, inclusive na boca. Famosa por ter o sexo como principal forma de transmissão, ela também passa de pessoa para pessoa através do beijo e do compartilhamento de escovas de dente. Por tudo isso, o dentista tem um papel fundamental na prevenção e no diagnóstico do problema. Vamos entender melhor isso?
Para começar vamos entender porque a sífilis tem tanto a ver com saúde bucal. A resposta é muito simples, porque ela também pode ser transmitida através da saliva, ou seja, beijar alguém que tem sífilis pode ser um perigo.
Parece coisa do passado, mas está super presente. A sífilis lastrou-se em silêncio pelo Brasil e pelo mundo até virar uma verdadeira epidemia na última década.
Entre 2010 e 2018, os casos registrados de sífilis adquirida sexualmente saltaram de 2,1 para 75,8 a cada 100 mil brasileiros — um aumento de incríveis 3 600%. “É uma doença de fácil diagnóstico e fácil tratamento, mas continua muito prevalente. Há uma questão de conscientização que ainda precisa ser enfrentada”, analisa o ginecologista José Eleutério Júnior, presidente da comissão de doenças infectocontagiosas da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo).
Os primeiros sintomas também confundem: feridas nos genitais, erupções cutâneas e ínguas, às vezes confundidas com alergias ou outras infecções. Como costumam desaparecer sozinhos, é comum que as pessoas não deem bola nem procurem o médico. Só que a bactéria continua ali.
Esse período de latência pode inclusive durar décadas: a doença fica assintomática, mas ainda se espalha pelo corpo e é transmitida para outras pessoas. Após anos ela volta a atacar comprometendo cérebro, coração, olhos e pode levar à morte

PREVENÇÃO:
Dados do Ministério da Saúde revelam que o comportamento de risco vem impedindo o Brasil de avançar no combate às infecções sexualmente transmissíveis (ISTs). Chama a atenção a alta taxa de detecção pelo vírus da aids (HIV) entre os jovens de 15 a 29 anos, o aumento da sífilis e a contínua transmissão das hepatites virais.
- USAR CAMISINHA
- NÃO COMPARTILHAR ESCOVA DE DENTE
- OBSERVAR LESÕES BUCAIS NO DENTISTA
- EVITAR CONTATO COM LESÕES
- FAZER TESTE PARA SÍFILIS ANTES DE TER RELAÇÕES SEXUAIS COM OUTRAS PESSOAS
Como é feito o tratamento da sífilis?
O tratamento de escolha é a penicilina benzatina (benzetacil), que poderá ser aplicada na unidade básica de saúde mais próxima de sua residência.
Esta é, até o momento, a principal e mais eficaz forma de combater a bactéria causadora da doença.
Quando a sífilis é detectada na gestante, o tratamento deve ser iniciado o mais rápido possível, com a penicilina benzatina. Este é o único medicamento capaz de prevenir a transmissão vertical, ou seja, de passar a doença para o bebê.
A parceria sexual também deverá ser testada e tratada para evitar a reinfecção da gestante. São critérios de tratamento adequado à gestante:
- Administração de penicilina benzatina.
- Início do tratamento até 30 dias antes do parto.
- Esquema terapêutico de acordo com o estágio clínico da sífilis.
- Respeito ao intervalo recomendado das doses.
SÍFILIS EM GESTANTES:
A Organização Mundial de Saúde (OMS) estimou mais de meio milhão de casos de sífilis congênita no mundo (aproximadamente 661 mil), resultando em mais de 200 mil natimortos e mortes neonatais. A sífilis congênita é a segunda principal causa de morte fetal evitável em todo o mundo, precedida apenas pela malária.
São complicações da sífilis congênita:
- aborto espontâneo;
- parto prematuro;
- má-formação do feto;
- surdez;
- cegueira;
- deficiência mental;
- morte ao nascer.
É crucial que as mulheres realizem exame de diagnóstico e tratamento precocemente como parte dos cuidados pré-natais para uma experiência positiva de gravidez.
SITES FONTES: Saúde Abril. OMS. Governo Brasileiro